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sábado, 21 de agosto de 2010

Meu sonho

Eu sonhei com um mundo que era regido pelo amor, vivi esse sonho de todo meu coração durante a calma e inocência da noite. Ao acordar vi o sol pela minha janela brilhando raios límpidos e claros que invadiam meu quarto sem pedir licença, pensei que podia trazer meu mundo de sonhos para realidade, mas a ingenuidade e simplicidade da noite foi roubada pela ganância do dia. Durante o dia não há espaço para o amor, pois todos andam com muita pressa. É preciso juntar dez mil Reais, é preciso estar pontualmente na próxima reunião, é preciso não perder o trem, é preciso ganhar cada vez mais dinheiro sem nem mesmo saber o porquê. Se ao menos as escadas rolantes fossem mais rápidas, se os elevadores tivessem jatos, se as distâncias não fossem tão longas, mas dizem que não podemos mudar o mundo e assim é que crescemos, acreditando que devemos apenas nos adaptar a ele. Incoerente é pensar que se somos nós que fazemos o mundo ser o que é como não podemos mudá-lo?
Enfim, ao acordar do meu sonho onde vivia em um mundo perfeito me deparei com a brutal e onipotente realidade que não te dá espaço para respirar, para sonhar, para andar devagar, para ver as belezas do mundo, que não te dá tempo para fazer algo que todos nós deveríamos fazer...amar! É claro que não há tempo para isso, pois o mundo exige que ponhamos qualquer coisa em primeiro lugar menos o amor, qualquer coisa é mais importante do que uma pessoa que te faz suspirar, que te faz sentir bem ao lado dela, que te faz feliz e que te faz querer estar ao lado dela para todo sempre. Antes de amarmos alguém é preciso que tenhamos uma faculdade, que tenhamos um bom emprego, que tenhamos um bom salário, que possamos nos realizar profissionalmente. Essas são idéias tão pré-estabelecidas em nossas mentes que simplesmente começamos a achar que é impossível atingir todas elas se antes de tudo amarmos alguém. É como se hoje amar a si mesmo primeiro significasse não amar ninguém antes de realizar suas próprias conquistas e tornar suas metas pessoais realidades. E se acreditamos ou fazemos o contrário somos loucos, sonhadores, idiotas, somos os criminosos errados que merecem ser exilados e largados ao esquecimento cuja pena é amargar a idéia de nunca seremos vencedores por termos colocados o amor em primeiro lugar.
Hoje em dia é assim, se você não possui uma boa faculdade, um bom emprego, um bom carro, uma boa casa, você comete o mais sério e imperdoável de todos os pecados, aquele que pelo qual Deus não deixará você nem passar perto dos portões dourados do paraíso. Por outro lado, se você consegue tudo isso e coleciona “amores” o mundo te aplaude e faz de você estátua de busto em bronze para ser colocada em praça pública, o mundo te elogia e vangloria pela sua “belíssima” conduta! Digno de admiração seja o rico empresário, alvo de críticas e menosprezo seja o amante.
Sinto pena dos que pensam como o resto do mundo, sinto pena dos filhos que esse mundo gerará, sinto pena pela pena que Deus sente de seus filhos, tão maltratados e nascidos com essa idéia torta em suas mentes. Já nascem sem o direito de ter suas próprias escolhas, já nascem sem o direito de se deixarem sentir um sentimento tão puro e belo. Para poucos como nós o que resta? Creio que seja continuar acreditando que um dia isso tudo mudará enquanto enxugamos nossas lágrimas por não acharmos o nosso lugar aqui, desabrigados de nosso próprio lar.

Atlas


Rebitei cada rebite, soldei cada emenda, gastei a maior parte de meu tempo para construir o mundo perfeito. Por fim ele ficou pronto, lindo, polido, pronto. Mas então, todo meu ardor e todo meu cuidado foram em vão, pois tanto quis que ele fosse o mais belo e mais precioso que acabei tornando-o o mais pesado e o mais doloroso. Ledo engano achar que o que faz algo especial é pensar que precisa ser grandioso, ingenuidade pensar que posso querer que os outros sintam por mim o que sinto por eles, punhal ter a constatação de que não adianta criar o maior de todos os mundos se neste falta uma pequena ilha. Agora o meu mundo que antes me arrancou tanto suor de prazer, agora me esmaga impiedoso e me destrói sem ao menos ter compaixão por seu próprio criador. Criador e criatura, bem e mal, médico e monstro. O que de pior existia em mim foi o que destruiu o que de melhor havia em mim.

Desenho por Rafael Assis

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O menino do trem

Cinco horas da tarde, o sol já começa a traçar seu caminho rumo ao oeste e seu fraco brilho vai vagarosamente dando lugar a escuridão da noite, na Estação Dom Pedro II as plataformas se encontram repletas de trabalhadores cansados, sujos e suados, mais um dia de trabalho se foi e depois de tudo o que passaram só o que eles querem é encontrar um lugar sentado dentro do trem. Pelo auto-falante o locutor anuncia: “Próximo trem com destino a Japeri dará entrada na plataforma oito linha agá, horário previsto de partida às dezessete horas e dez minutos”. Nas plataformas os cansados representantes da força de trabalho brasileira se aproximam da faixa amarela e ficam esperando enquanto ao longe com seus fortes faróis acesos o trem se aproxima. Ao finalmente parar e abrir as portas, os embora cansadas trabalhadores ainda encontram força para correr o suficiente para sentar, uma correria louca e frenética que vale o grande prêmio do dia, o direito de voltar para casa sentado.
Nos bancos dos trens o cansaço é tanto que seus já acostumados passageiros nem se importam de ficar de olhos abertos, descansam e confiam em algum sexto sentido desconhecido que parece os avisar quando a estação certa chegar. Em meio ao aperto dos já também cansados vagões, camelôs se apertam entre os passageiros vendendo de tudo que se possa imaginar, capas para celular, cortadores de legumes, DVDs, chaveiros, prendedores de cabelo, picolé, cerveja, refrigerante, água e afins. Corpos também cansados e com as colunas tortas de tanto carregar as pesadas caixas de isopor repletas de gelo e algo mais, indo de um lado para o outro, trocando de vagão a cada estação tentando ganhar o pão deles de cada dia. Em meio a tantas vozes grossas e corpos altos uma voz ainda um tanto quanto aguda que habita em um corpo pequeno chama atenção, tão jovem é o menino e tão grande é o peso que carrega. Ele vem tentando se equilibrar enquanto o trem balança de um lado para outro em cada curva, sem contar com os diversos solavancos devido aos trilhos nada retilíneos da Estrada de Ferro Central do Brasil. Em seu rosto o suor lhe dá um brilho triste que chama ainda mais a atenção, seus olhos estão bem abertos, atentos para uma mão que possa se levantar e seus ouvidos também atentos para qualquer voz que possa chamá-lo. Alguém o vê e diz “vai pra escola moleque”, mas não há tempo para escola, pois é preciso ser homem na hora em que ele só queria poder ter o direito de ser menino. Sua caixa de isopor já surrada e repleta de fita adesiva entorta a coluna do menino e guarda em si diversas latas de refrigerante e garrafas d’água, ele como exemplo vivo de Atlas da sociedade moderna carrega o peso de seu mundo em seus ombros. Eu me pergunto se na já lotada caixa do menino ainda há espaço para sonhos, se ainda espaço para esperança. Será que já com essa vida tão ditadora e cruel ainda existe espaço para ele querer ser jogador de futebol, bombeiro, estudante, menino?
É triste ver como a vida acontece tão cedo e de forma tão abrupta para uns e os tira a oportunidade de poder crescer a seu próprio passo, é possível ver nos olhos desse e de tantos outros meninos do trem um sentimento gritante de tristeza, é possível ver que eles queriam estar em qualquer outro lugar, menos ali. Triste também é ver que fora do trem nas tantas escolas que vemos por aí tantos outros meninos e meninas que podem estar ali simplesmente levam a escola como brincadeira e não dão o devido valor a essa coisa maravilhosa que é a educação. Talvez, se pelo menos por algumas horas eles pudessem estar na pele do menino do trem com certeza dariam muito mais valor ao ensino e sentiriam uma sensação totalmente diferente no momento em que acordam e somente tem que se preocupar em qual roupa vestir para mais um dia de escola, brincadeiras, lan house e casa.

Ícaro

Ícaro era o filho de Dédalo e ambos vivam aprisionados em um labirinto construído pelo próprio Dédalo para prender o Minotauro. Desse labirinto ambos podiam ver a cidade de Creta e motivado por uma grande vontade de deixar aquele lugar Dédalo construiu para si e para seu filho dois belos pares de asas feitas com penas que caiam de pássaros que voavam sobre o labirinto e também com cera. Dédalo advertiu seu filho para que não voasse perto do mar, caso contrário a umidade aumentaria o peso das penas, tampouco poderia voar perto demais do sol, pois o calor derreteria a cera de suas asas. Ícaro, contudo, viu-se deslumbrado com o prazer de voar e subiu cada vez mais alto e não deu ouvidos para os conselhos que seu pai lhe dera. Pouco a pouco a cera em suas asas foi derretendo e Ícaro caiu ao mar enquanto seu pai olhava impotente e seguia seu rumo em direção a Creta.
Essa e apenas mais uma das diversas histórias da mitologia grega, que é muito rica e também muito interessante. Essa história em particular embora cheia de fantasia cabe muito bem em muitos casos da sociedade moderna. Quantas vezes nós vemos pais que constroem belas asas para seus filhos, muitas delas até mesmo mais belas que as de Dédalo, mas seus filhos assim como Ícaro se deslumbram com tanta liberdade e acabam simplesmente se perdendo no caminho rumo a Creta? Às vezes nossos pais nos dão educação, carro, casa, e por não sabermos como usar acabamos acabando com tudo, nos perdemos em nossas próprias ambições e nos tornamos escravos da nossa falta de racionalidade, jovens movidos pelo coração muito mais que pela razão acabam pagando da forma mais pesada e amarga pelo desejo de querer subir mais alto do que se pode. E assim como Ícaro traçamos nosso caminho rumo ao mar que lá embaixo nos espera com ondas famintas loucas para nos mostrar toda sua força. Somos Ícaros caídos, sem asas, Ìcaros que não podem mais voar, levados de cá para lá e de lá para cá pela vontade do mar.
Quantos de nós não nos arrependemos de algo que fizemos e em nossas mentes pensamos “ah se eu tivesse ouvido meus pais”, talvez se não tivéssemos sido tão impulsivos, se não tivéssemos sido tão inocentemente enganados pelo brilho do sol que saía por entre as nuvens talvez tivéssemos encontrado nosso caminho e hoje estaríamos todos em nossas Cretas. O que nos resta, contudo, e que diferente de Ícaro que encontrou no mar a sua morte nós ainda podemos mesmo sem asas usar nossos braços para nadar e uma vez que alcancemos a orla podemos nos secar e recomeçar, dessa vez andando, um passo de cada vez, invés de voando deslumbrados com o infinito. O que nos resta é esta palavra chata que se chama erro, porém podemos transformá-la em algo mais belo e renomea-lá para aprendizado para que assim não nos sintamos como Atlas, que carrega o céu sobre seus ombros, pois transformando erros em aprendizado podemos ser capazes de mais uma vez traçar nosso caminho e dessa vez não chegar apenas a Creta, mas chegarmos onde quer que nossos pés possam nos levar.

domingo, 15 de agosto de 2010

"O que você vai ser quando crescer?"

É impossível conseguir lembrar quantas vezes alguém chegou perto de mim quando era menino e me fez está tão famosa pergunta; eram meus pais, parentes, professores, todos queriam saber o que eu queria ser quando eu crescesse. Engraçado que naquela época eu não sabia nem o que eu iria fazer no dia seguinte, quanto mais saber o que fazer quando eu fosse maior. Mesmo assim, como toda criança, eu já quis ser várias coisas. Acho que uma das primeiras coisas que quis ser foi desenhista, trabalhar para os estúdios Disney, depois bombeiro, não por salvar vidas, mas sim por poder apagar fogo. Depois, me lembro que nas eliminatórias para copa de 94 eu via os jogos e via Taffarel no gol do Brasil e naquela época eu quis ser goleiro de algum time e naquela mesma época Senna era o rei das pistas então eu também queria ser piloto de Fórmula 1. Mais tempo passou e eu cheguei ao ensino médio e lá descobri como era legal desenhar casas e outras coisas, naquele momento eu quis ser arquiteto e Oscar Niemeyer se tornou meu grande mestre. O tempo passou mais uma vez e eu acabei por me tornar algo que nunca quis, professor. Exerci minha profissão com muita vontade e motivação e por isso acabei conhecendo pessoas bacanas, fiz alguns amigos e conheci você, que mudou minha vida.
Com você eu fui a lugares que não imaginava, me tornei uma pessoa completamente diferente e muito melhor do que eu pensei que pudesse ser, vivi experiências inesquecíveis e principalmente descobri o real significado do verbo amar. Você mudou minha mente e plantou um lindo jardim em meu coração, extraiu o melhor de mim e me fez conhecer muito mais do que eu pensei que me conhecesse. Sinto-me feliz e seguro ao seu lado porque sei que posso contar sempre com você a qualquer hora do dia ou da noite e também sei que nos momentos em que estou confuso você me fazer enxergar o que preciso ver porque você parece me conhecer melhor que eu mesmo.
Quando conheci você minha vida mudou por completo e por isso também mudou a resposta que daria se, por exemplo, você me perguntasse "Rafael, o que você vai ser quando crescer?". Hoje eu responderia assim: "Posso não saber com toda certeza qual profissão quero seguir, embora goste muito de dar aulas para o público com que estou trabalhando agora. A única coisa que posso dizer com certeza é que eu quero nunca pensar que não preciso mais me dedicar à você ou pensar que seu amor é garantido independente do que faça, quero sempre cuidar de você e dia após dia te dar mais um motivo para você querer passar mais um novo dia ao meu lado. Quero continuar sendo um bom namorado para crescer tudo o que preciso para em um futuro próximo eu possa ser um ótimo marido. Quero continuar sendo seu melhor amigo, quero continuar te amando como se cada dia fosse o primeiro e ao mesmo tempo o último. Quero fazer com que cada momento que passo ao seu lado seja mágico para nunca deixar que se apague nem mesmo que esmaeça a chama em seu coração do amor que você sente por mim. Quero continuar crescendo, quero continuar te ajudando em que for preciso, quero continuar sendo parte da sua vida, quero continuar sendo umas das suas alegrias, quero continuar habitando seus sonhos, quero continuar merecendo seus beijos e acima de tudo quero continuar merecendo o que de melhor você tem, o seu puro e maravilhoso amor. Em resumo, quero continuar sendo seu único e eterno homem."

Hoje e sempre, seu. Te amo princesa!

sábado, 7 de agosto de 2010

Eternos sussurros

Gostaria de encher meus pulmões com todo ar que coubesse dentro deles, após isso feito eu usaria todas minhas forças para dar o grito mais alto que alguém já ouvira para que todos pudessem saber quanto eu te amo. Contudo, os dias iriam passar e o mundo todo se esqueceria do quanto eu sou eternamente apaixonado por ti. Sendo assim, invés de usar todas minhas energias para dar um grito para um mundo esquecido prefiro usá-las para dia após dia para sussurrar em seu ouvido e te mostrar através dos meus gestos o quanto meu amor por ti torna-se cada vez mais firme e que não importa se passem minutos ou décadas eu amarei somente a ti, me apaixonando cada vez mais por cada detalhe seu que me será revelado ao passar de cada dia.
Algumas pessoas para se apaixonar mais de uma vez na vida precisam conhecer mais de uma pessoa, Deus abençoou minha vida me dando a graça de me apaixonar todo dia pela mesma pessoa e isso me faz o homem mais feliz do mundo!

Eu, meu amor, simplesmente te amo com o que de melhor existe em mim!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Portas



A vida é um labirinto cheio de corredores e portas, portas que nós nunca sabemos aonde irão nos levar. Algumas delas nos levam a vales escuros e profundos, vales dos quais por vezes nos sentimos incapazes de sair. Outras portas, por outro lado, são feitas de luz e nos levam para lugares dos quais não iremos querer sair, iluminados pela luz e aquecidos pela beleza que a vida nos trás. Mas quem terá coragem de abrir uma nova porta e aventurar-se no que existe por trás dela? Muitas vezes é mais cômodo, menos assustador, menos desafiador ficar em nosso corredor em que já conhecemos cada mofo na parede, cada teia de aranha, cada canto empoeirado a descobrir o que se esconde por trás de mais uma porta. E se passearmos um pouco, apenas alguns metros pelos corredores da vida veremos muitas pessoas paradas, estagnadas em seus cantos sem ir nem vir de lugar algum. Pessoas com rostos pintados pela cor do conformismo e também da falta de vontade de seguir.
Contudo, se abrirmos as portas veremos poucas pessoas em seus novos caminhos, poucos que se arriscaram a entrar e conhecer o desconhecido. E nesse labirinto louco da vida, no final de tudo veremos que vencedores não são aqueles que abriram as portas certas, mas sim aqueles que tiveram coragem de abrir mais uma mesmo depois de ter aberto portas erradas.

Foto por: Renato Assis